O homem comum

Arte e educação: artista teresopolitana muda a vida de crianças carentes da cidade

November 12, 2009
Leave a Comment

Jaqueline Vilela Reis.

Pintora, artesã e dona de casa. Estou falando  de Rosane Santos, 59 anos. Ro faz a diferença para qualquer um, desde dando aulas para crianças carentes a adotando uma criança para ajudar no Natal até doar seus quadros para as instituições.  Atualmente ela mora na cidade de Teresópolis, RJ, e  aluga quartos para estudantes universitários que vem de fora para estudar na cidade.

Rosane começou trabalhando com decoração de festas infantis. Em 69 descobriu que tinha aptidão para pintar, mas logo em seguida parou por um tempo. Ro voltou a pintar em 90  e fez um curso de artes plásticas no Rio de Janeiro.  Oito anos depois  começou a dar aulas de pintura para crianças carentes de uma instituição em Niterói.  Alem de pintar ela faz decoração  e bijuterias.  Todas as fotos e produtos vão parar no seu site Arte na rede, que está em construção ainda.

No inicio da carreira pintava paisagens, natureza morta, marinhas, florais, animais  e a figura humana. Hoje sua especialidade são as figuras humanas, seus quadros têm características hiperrealistas, mas ela também faz arte abstrata.  Na maioria das pinturas ela usa a espátula.  Seus quadros hoje não sairiam por menos de seis mil reis. Além de pinturas abstratas e hiperrealistas ela trabalha também com colagem.

Aí que entra a diferença nesta pintora. Ro não apenas faz os quadros mas ela doa para as instituições de caridade da cidade. A instituição prestigiada dessa vez é a  SEAC ( Sociedade Espírita Amor e Caridade) em Teresópolis. Fundada em 11 de julho de 2004, é uma associação civil de caráter científico, religioso, educacional, cultural, de assistência social, de objetivos filantrópicos, sem finalidade lucrativa,.  Na instituição Ro possui  um ateliê com estrutura para vinte crianças.

Para Rosane a arte representa tudo, a arte foi uma benção, é uma compulsão. Hoje o dinheiro nesse ramo é tudo e sua inspiração vem da sensibilidade  para focar velhos e crianças. Segundo Ro a arte foi feita para doar. Outra instituição privilegiada foi o Lar Tia Anastácia, que também fica na cidade serrana,  Rosane deu aula na instituição durante  dois anos.

O lar foi fundado em 1987 pelo casal Mary Pinheiro de Souza e João dos Santos Garcia  que começou a receber, em sua própria casa, crianças e adolescentes em situação de risco. Com o aumento dos casos, em 1997 foi fundado, oficialmente, o Lar Tia Anastácia, abrigo para vítimas de maus-tratos físicos e psicológicos e de abuso sexual encaminhadas pelo Conselho Tutelar, Vara da Infância, polícia ou hospitais da cidade.

Para Rosane infelizmente a arte  no Brasil não é  valorizada e o artista  plástico consegue um reconhecimento   comparado. O artista paga R$ 80  para colocar seus quadros em galerias. Os marchants  faturam  mais explorando os artistas. Inventam um salão  com o nome de alguém e cobram por isso.

São essas pessoas que fazem toda a diferença que a mídia não mostra. Pessoas que mudam a vida de outras pessoas através apenas de um gesto simples.  Rosane finaliza a entrevista  ditando um autor desconhecido “sem o publico a arte torna-se obsoleta nas mãos do seu criador”.

Para as pessoas interessadas no trabalho de Rosane é só ligar para o telefone (21) 2642- 0033 ou pelo e-mail rosan@gmail.com.br. As aulas custam cerca de trinta reis por mês.  Outras pessoas podem ajudar também a instituição Lar Tia Anastácia elaborando um programa ou um projeto de oficina e apresentá-lo para viabilizar sua execução. Informe-se pelo telefone (0xx21) 3642- 0861, de segunda a sexta, de 9h às 18h, ou envie um e-mail para laranastacia@yahoo.com.br.   O SEAC também disponibilizou o e-mail para pessoas que quiserem  ajudar  com  sugestões, colaborações:  seac@seac.org.br

 


Posted in Uncategorized

PESSOAS COMUNS, VIDAS INCRÍVEIS

November 7, 2009
Leave a Comment

 Por Gisela Dantas

Se um dia você estiver andando pela cidade de Teresópolis e ao cruzar com um casal comum de meia idade sentir uma paz enorme invadir seu coração… não se espante!!! Você acabou de encontrar com duas pessoas que escolheram fazer de suas vidas uma luta constante pelo bem de crianças abandonadas ou maltratadas. 

DSC00024Ele, Francisco Carlos Montoni, ela, Nadir Mariano Montoni, casados há 31 anos e pais de dois filhos. Eles abraçaram ainda jovens a missão de fazer o bem.

 Pessoas comuns, como eu e você, mas diferentes porque não aceitaram ver o mundo sendo destruído pela violência, pela falta de irmandade, pelo egoísmo, e decidiram dedicar-se a fazer desse um lugar melhor.

Com apenas 17 anos, Francisco e Nadir ingressaram no treinamento para se tornarem missionários da Missão Novas Tribos do Brasil, onde atuarem no campo transcultural e em 1980 foram viver e evangelizar o povo Poturú-Z`Oe.Mas a vida não fica fácil só porque a causa é nobre, desafios chegam para que cada um possa mostrar o seu valor. Repetidas malárias foram o desafio que entrou na vida de Francisco, e depois de 9 anos, aquela missão não poderia continuar.

  

O PROJETO  

        DSC00026   E agora, o que fazer??? Viver como pessoas comuns? Não para esse casal. Sem poder continuar a missão entre os esquecidos da floresta, Francisco e Nadir escolheram lutar pelo bem de crianças que precisavam de um lar temporário e cuidados especiais, e assim nasceu o “Projeto Filhos do Coração”, uma casa de passagem para pequenas vidas em transição.    

O projeto já funciona há 8 anos em Teresópolis, interior do Rio de Janeiro, e por ele já passaram 142 crianças, das quais 62 foram adotadas. Entre esses houve crianças que foram violentadas, queimadas, abandonadas, que tiveram seus direitos roubados e que depois de serem cuidadas, saíram de lá sorridentes, saudáveis e felizes.  

Francisco e Nadir, o casal fundador e que trabalha para manter o projeto, falam com alegria e gratidão a Deus das crianças que ajudaram a cuidar e recuperar, crianças que chegaram desnutridas e que hoje estão crescendo com saúde.  

logo_filhos_do_coracaoCuidam de cinco crianças por vez, de 0 a 7 anos, seus organizadores explicam que esse número garante que as crianças recebam atenção, carinho e cuidados típicos da vida familiar, e assim não se sintam institucionalizadas.  

O projeto “Filhos do Coração” está registrado no CMDCA de Teresópolis, Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente e recebe as crianças através da Vara da Infância e da Juventude e do idoso de Teresópolis e não tem ligação com o governo. A casa onde funciona o projeto foi uma doação de uma igreja norte-americana e para funcionar conta com doações de alguns empresários, igrejas e pessoas particulares, sendo algumas assiduamente outras esporadicamente.  

ENTREVISTA COM FRANCISCO  

Francisco Carlos Montoni, ou Quico, como é mais conhecido, junto com sua esposa criou e trabalha no Projeto “Filhos do Coração”. Numa conversa franca e com a certeza de quem faz seu trabalho com toda dedicação, ele falou de suas experiências, do trabalho no projeto e de sua relação de afeto com esses pequenos projetos de vida.  

Sobre a origem do projeto, contou que quando saíram da vida missionária, porque ele havia ficado muito doente de malária, foram convidados a trabalhar cuidando dos filhos dos missionários em Anápolis, Goiás, onde ficaram por oito anos e nesse período, nesta mesma cidade, conheceram um casal com uma história incrível e inspiradora: eles brancos, com cinco filhos homens, foram adotar uma menina. No momento de buscar a criança o juíz perguntou se queriam conhecer primeiro, pois a menina era negra. Eles disseram que não, que estavam indo buscar a “filha deles”. A menina esperava por eles toda suja, embrulhada numa blusa velha, dentro de uma caixa de sabão, e ao ver aquela falta de cuidado criaram uma instituição chamada “Minha Casa”, onde funcionava um abrigo para crianças esperando serem adotadas. E foi nesse trabalho que Francisco descobriu sua missão.  

            Quando o projeto acabou, Francisco e Nadir decidiram desenvolver o Projeto “Filho do Coração”, mas em Anápolis não tiveram chance. Já em Teresópolis, receberam o apoio do juizado da Infância e da Adolescência e conseguiram fundar sua instituição. Por falar nisso, Instituição é uma palavra que ambos não gostam, pois costuma-se dizer que “Instituição é um mal necessário” e eles buscam realizar um “bem necessário”.  

            Quando perguntado sobre como fazem para manter o projeto funcionando, Francisco disse com simplicidade “cada mês é um milagre”, e completou “Deus sempre nos abençoa com a graça de podermos contar com pessoas generosas que ajudam com doações.”  

            Num único momento de exaltação, e num pequeno instante de semblante fechado, Francisco falou sobre a revolta de saber que pessoas maltratam crianças, justamente aquelas que deveriam amar e proteger. Contou histórias de crianças que foram abusadas sexualmente por mães, avós, pais. Crianças muitas vezes torturadas, espancadas, queimadas, cheias de seqüelas físicas e psicológicas que irão acompanhá-las para sempre. “Não quer ficar com a criança, entregue-o ao juiz, o abandono sim, constitui crime” .  

            Ao  falar  sobre  seu  trabalho  como  missionário  na  tribo  Poturú-Z`Oe, Francisco contou que se preparou estudando muito para que pudesse levar conhecimento e facilitar a vida do povo indígena, e que o estudo e preparo são importantes pois precisam preservar a saúde da tribo. Com simplicidade, resumiu o que buscavam realizar: “Nosso trabalho buscava levar uma condição de vida melhor aos índios, mas sempre respeitando as tradições do povo, sua cultura e suas crenças.  No entanto, o trabalho acabou por conta de uma decisão da FUNAI, que busca manter as tribos como sempre foram, sem evoluir, como se fossem árvores ou animais.” Falou também que aprendeu muito nessa experiência, como a língua e o jeito de viver na floresta, e que uma das histórias mais interessantes sobre a cultura desse povo é que o pedaço de madeira que usam no lábio inferior e que chamam de Poturu, vem de uma árvore da qual acreditam que se originaram.  

Mostrou uma reportagem de uma criança que foi enterrada viva pela mãe e salva por um milagre, e emocionado contou que muitas das crianças que estiveram abrigadas nesse lar que é a casa deles, também são milagres: “Recebemos uma menina uma vez com apenas 24 dias, seus olhos refletiam a dor da fome,seu rosto parecia carregar todas as tristezas do mundo. Seu corpinho era apenas pele e osso. Oito meses depois estava linda, tinha ganhado mais de um quilo. Foi adotada e hoje é amada e feliz. Isso sim é um milagre.”  

As fotos dessas crianças salvas emocionam e comprovam o valor do trabalho realizado no projeto, mas não fazem parte dessa reportagem, pois crianças devem ser preservadas. No entanto, Francisco garante que as portas do projeto “Filhos do Coração” estão abertas para quem quiser conhecer os pequeninos e dar-lhes um pouco do amor que foi negado por suas famílias.

MOMENTOS ESPECIAIS

Ao conhecer o casal Francisco e Nadir e o trabalho que eles realizam em prol das crianças abandonadas ou vítimas de maus tratos em Teresópolis, tudo emociona. Mas o que mais chama atenção é a dedicação e o amor com que eles tratam os seus pequenos pupilos. Não há um traço de preconceito, de rejeição, eles fazem o trabalho com amor e se orgulham de terem feito parte da vida de cada uma daquelas crianças.  

Uma das histórias que proporcionou uma imensa alegria ao casal é sobre os cinco irmãos que recentemente foram adotados. Eles chegaram ao projeto desnutridos, tristes, debilitados, e lá encontraram amor e dedicação. Conseguiram enfim voltar a ser crianças. Hoje estão felizes e levam uma vida confortável com uma família que escolheu não separá-los.  A história desses irmãos apareceu no Domingão do Faustão, numa bonita homenagem feita a Nadir, como mãe postiça de Teresópolis.  

Outro fato que me emocionou nesse encontro com Francisco e Nadir, foi ver a emoção e a sinceridade com que o casal trata aquelas pequenas crianças. Um casal interessado em se candidatar a adoção estava no local. O pretendente futuro pai, muito emocionado, falava sobre a revolta de ver crianças sendo maltratadas enquanto tantas pessoas desejam amá-las, e Nadir, com lágrimas nos olhos, disse que sente o mesmo e consolou-o dizendo: “O filho da barriga ou o filho do coração só nasce na hora certa.” Depois confessou que muitas vezes se sente revoltada, como ele, ao ver crianças que ela cuidou com tanto carinho voltarem para pais que não irão amá-las, mas seu conforto é saber que Deus cuida de todos os pequeninos.  

DSC00028Esse casal nos deixa uma lição: “É preciso ter esperança num mundo melhor, pois mesmo vendo todas as maldades cometidas contra as crianças, eles acreditam na força de Deus e que Esse ilumina o caminho de todos.”  

Nadir e Francisco sonham com o dia em que outros casais, como eles, pessoas comuns, como você, descubra o quanto é gratificante cuidar e amar essas crianças e que assim surjam novos projetos, novos lares, novas UTIs do coração e mais nenhuma criança precise sofrer numa instituição fria e impessoal.  

   

   

                                                                                                                                                                             


Posted in Uncategorized

Domingo de Churrasco com Picolé!

November 7, 2009
Leave a Comment

Por Joanna Medeiros

O personagem escolhido para a minha matéria é um homem cujo nome eu não sei, não conheço sua história, sua venturas e desventuras . É um homem que acredito ser simples, pois desempenha um trabalho duro, digno de quem tem uma grande família para sustentar e não teve outra opção. Não sei onde mora, como mora e nem se mora em algum lugar, mas reconheço nele, cada um dos brasileiros que dá seu suor na labuta do dia-a-dia.

Não sei dos seus problemas, mas sei como ele se insere na minha história de vida e na minha família.   Meu personagem é uma figura conhecida na cidade de Teresópolis, desde o bairro do Soberbo, até a Barra (dois pólos opostos de Teresópolis), pois em seu trabalho é de vendedor de picolé, e sendo assim, precisa andar milhas e milhas todo santo dia para poder ter uma renda melhor.

Você pode pensar que ele é um vendedor de picolé qualquer. Mas é aí que você se engana! Sem nunca ter frenquentado uma universidade, este homem conquista sua freguesia fazendo o mais genuíno e eficiente marketing pessoal. Criou uma identidade para seu produto que ninguém mais tem: ele ganha seus fregueses no grito. Você pode estar se perguntando: no grito? E eu te respondo: no grito. Mas esse grito não é uma mera voz na rua, ele impõe a sua presença e praticamente obriga as pessoas a consumirem seu picolé. O escândalo é tanto que da outra rua podemos saber quando ele está chegando. Ouvimos o estridente som: “PICOLÉ E SORVETE!” a metros de distância, e com os gritos sentimos instantaneamente vontade de tomar sorvete. E são gritos tão altos, que não sei como ele consegue falar no outro dia sem ficar rouco. É incrível, minha gente! Esse homem vende sorvete até no inverno, não me pergunte como, acho que ele coloca algum produto que causa vício no picolé que vende. É a única explicação! Todos da rua compram com ele. Minha tia por exemplo, compra picolé em grandes quantidades, pois meu primo é apaixonado por ele e pela figura engraçada desse vendedor.  Quando escuta os gritos, o Breno, meu priminho, já sai correndo de casa, fica no portão, só esperando a hora de poder escolher os sabores dos seus sorvetes favoritos. Acho que isso vai ficar na memória do pequeno quando se lembrar das melhores coisas da infância.

Quando nosso querido vendedor acha que nós não escutamos sua chegada, ele grita no portão de casa: “EEEI, VAI QUERER?” Frase essa que já virou bordão entre a minha família.

Por que eu disse que este homem faz parte da minha família? Porque ele se tornou uma figura familiar. Ele representa os dias de domingo, nos quais costumamos fazer churrascos na casa da minha tia Cristina, onde reunimos todos os primos, conversamos, rimos e nos divertimos. Sem nenhuma cerimônia, ele abre o portão, entra e vende picolé e ainda come churrasco junto com a gente. É sensacional!

 O domingo já tem sabor de picolé de brigadeiro por causa dessa pessoa que entrou, literalmente, abrindo o portão e se sentindo em casa.

 Aonde eu vou e escuto este homem “vendendo seu peixe” da melhor forma possível, logo meu sinto aconchegada entre a família num dia ensolarado de domingo.

 


Posted in Uncategorized

About author

Queremos levar você para caminhar pelas ruas das nossas cidades à procura dos homens comuns, os homens infames como diria Michel Foucault. Aqueles que não tem fama num mundo onde ser célebre, visível, é condição para ser alguém. Venha conhecer histórias incríveis em sua simplicidade. Aprender a ver as pequenas belezas no cotidiano desses homens comuns. Essa é a proposta da turma de jornalismo digital da Universidade Estácio de Sá Nova Friburgo: percorrer as cidades do interior à procura desses homens comuns e contar o que vimos e sentimos para os leitores desse blog.

Search

Navigation

Categories:

Links:

Archives:

Feeds

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.